Entre veteranos e boas surpresas, meus cinco ambientes preferidos na Casa Cor Florianópolis

O endereço da Casa Cor Florianópolis 2017 parece ter lançado luz e inspiração ainda maiores à turma de 46 profissionais que elaboraram os 28 ambientes participantes desta edição, em cartaz até 22 de outubro (serviço mais abaixo). É a charmosa Praça Getúlio Vargas, recentemente renovada e tão querida na cidade, que abriga o emblemático casarão de mais de 100 anos que já foi orfanato e, mais recentemente, a sede do Ipuf.

Luz, aliás, é um dos pontos altos da mostra. Janelões amplos, em muitos ambientes mantidos com revestimento original, deixam luz e ventilação entrarem nos espaços generosos em metragem e pé direito.

Entre as paredes centenárias, projetos que respeitaram a edificação e deram origem a ambientes inspiradores, que vão do clássico ao contemporâneo, refletindo nosso modo de viver e abordando, via décor, temas atualíssimos, com diversidade, gênero e sustentabilidade. Se projetos super ousados ou  arroubos criativos estão escassos, sobram referências possíveis, perfeitamente adaptáveis a moradas, e em sintonia com o tema que norteia a mostra: Foco no Essencial.

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Com esse alto nível de projetos e uma locação incrível, vale o passeio pelo evento. Aqui, compartilho meus cinco ambientes preferidos, uma eleição pessoal e baseada em critérios puramente subjetivos, já que esses foram os ambientes que mais me emocionaram na mostra. São divididos entre s assinados por  experientes profissionais quase sempre premiados e por uma turma de novatos que já chegou fazendo história.

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim…, de Marcelo Salum 

Um dos arquitetos mais respeitados de SC nunca decepciona. Salum é expert em captar o zeitgest, apreendê-lo e empregar em um ambiente aspiracional sem nunca cair nos clichês. Quem não está desejando, com tanto caos e barulho lá fora, uma sala quase toda branca, com som de mar,  sem excessos desnecessários, despojada, mas ultra confortável e pontuada por obras de arte e plantas?

Uma sala de estar e jantar de 90m² com um pé na Bahia, pela vibe,  e outro no Japão, pela filosofia. Explica-se: a principal tendência do arquitetura foi o Wabi-Sabi, filosofia e estética japonesa que valoriza a transitoriedade e a beleza das coisas imperfeitas.

Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Mariana Boro, divulgação
Marcelo Salu por Mariana Boro, divulgação

Sala Cor de Rosa e Carvão, de Juliana Pippi

Outra tarimbada com senso estético acima da média e que está sempre entre os pontos altos da Casa Cor, Juliana Pippi desta vez trouxe a essência sensível e forte do universo feminino para sua sala, que não por acaso recebeu o nome da música de Marisa Monte que mimetiza em si as duas inspirações eleitas.

O living de 110 m2 – que integra hall, sala de estar, sala de jantar, bar, lavabo – evidencia a leveza do rosa claro, nude e tons de branco em contraste com a potência do preto e grafite.

E nem só no conceito vive o feminino por ali: Ju fez um garimpo por artistas mulheres, muito bem representadas em Tomie Ohtake, Eloá Carvalho, Nina Lima, Jacqueline Terpins,  Renata Moura, Heloísa Galvão, Carol Gay, que assinam as obras e objetos. Outros destaques são o handmade amplamente utilizado e que traz um aconchego delicioso ao espaço, o forro de ripas em teca, trazendo  profundidade e grafismo à sala com vista para a praça, e o papel de parede da área de jantar, que lembra uma parede antiga marcada pelo tempo.

Um respiro de delicadeza e um convite a permanecer.

Denilson Machado, divulgação
Denilson Machado, divulgação

 

Denilson Machado, divulgação
Denilson Machado, divulgação
Denilson Machado, divulgação

 

Ju Pippi por Denilson Machado, divulgação

Living para Rezar… e Amar, de Anna Maya e Anderson Schussler 

Anna Maya foi buscar na paixão por catedrais e arte religiosa a inspiração para criar, ao lado de Anderson Schussler um living marcante, super despojado e desprovido de formalidade, bem com pedem as moradas de famílias contemporâneas. Ao tijolo do prédio original, mantido aparente, os profissionais adicionaram uma mistura de cores e elementos que poderia soar confusa, mas que agrada e muito o olhar.

Entre os destaques, a estante em madeira e laca cinza com formas arredondas e desenho exclusivo do escritório, assim como a lareira em formato de bolas, revestida com chapa galvanizada. Outro destaque é o lustre desenhado pela arquiteta, que une 22 cúpulas irregulares, além de plantas pendentes que emolduram o grafite de Driin, que traz um toque urbano ao ambiente.

 

Sidnei Kair, divulgação
Sidnei Kair, divulgação
Sidnei Kair, divulgação
Sidnei Kair, divulgação
Anna Maya e Anderson Schussler. Sidnei Kair, divulgação

Cozinha Dois Mundos, de Natália Prates, Aline Pires e Thiele Londero

Estreantes da mostra, as meninas da 3P Studio + t Arquitetura convidadas a integrar a mostra depois de vencerem o concurso Archaton, chegaram com um olhar fresh que renova o evento  como um todo. E olha que desafio era grande: projetar uma cozinha em um estreito espaço de 19 metros quadrados (realidade de muita gente por aí).

A inspiração veio de Anita e Giuseppe Garibaldi, casal homenageado na arte assinada por Julian Gallash e que ocupa a extensão de toda uma divisória. Da dupla emanaram os dois vetores que guiam o espaço: o amor e a força. O mundo bruto  está em materiais como o cimento, o ferro de vergalhões reutilizados e a madeira, enquanto o sentimento vem no grafite e no verde dos temperos e hortaliças.

Equilibrio, funcionalidade e estilo industrial contemporâneo (pero sem perder a ternura). Um acerto!

Rafael Ribeiro, divulgação
Rafael Ribeiro, divulgação
Rafael Ribeiro, divulgação
Rafael Ribeiro, divulgação

Natália Prates, Aline Pires e Thiele Londero. foto Julia Prado, divulgação

Espaço Ubuntu, de Fábio Vitorino, Leandro Sumar e Tauan Zanetta 

Outra boa renovação revelada pelo Concurso Archaton, o trio Fábio Vitorino, Leandro Sumar e Tauan Zanetta também estreia na Casa Cor trazendo como  temática uma necessária desconstrução de conceitos e preconceitos.

Original, o projeto que ocupa a escadaria e o lavabo propositalmente projetado sem distinção de gênero, foi batizado de Ubuntu, expressão africana que significa eu sou porque nós somos. Todas as fotos que ilustram a escadaria foram feitas sob encomenda para o espaço pelo fotógrafo Victor Hugo Silva, e retratam indivíduos com a maior diversidade possível em termos de etnias, alterações genéticas, géneros e orientação sexual. Refugiados e imigrantes também estão representados.  Descendo, o visitante encontra o lavabo, com a inscrição no espelho: seja o que tiver que ser, seja o que quiser ser.

A naturalidade usada como bandeira também migrou para os elementos  rústicos, como pedras naturais de basalto cor ferrugem, madeiras já existentes na construção e porcelanatos que remetem a materiais como o sisal e inscrições rupestres africanas.

Um espaço de passagem que gera reflexão.

15 espécies de plantas estão em um jardim vertical. Lio Simas, divulgação
No projeto da escadaria, árvores foram instaladas no forro. Lio Simas, divulgação
Fábio Pereira, Tauan Zanetta e Leandro Sumar. Foto Victor Hugo da Silva, divulgação

SERVIÇO

O QUÊ: CASACOR Santa Catarina 2017 – Edição Florianópolis
QUANDO: 10 de setembro a 22 de outubro
Terça a Sexta: das 15h às 21h
Sábado: das 13h às 21h
Domingo: das 13h às 19h
ONDE: Praça Getúlio Vargas, 194 – Centro – Antigo casarão do Asylo de Orphans São Vicente de Paulo da IDES (Irmandade do Divino Espírito Santo).
INGRESSOS: Inteira, R$40/Meia, R$20/Passaporte, R$100

 

 

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Laura Coutinho

Escrito por Laura Coutinho

Laura Coutinho é jornalista com mestrado em Relações Internacionais. Já morou em Porto Alegre, Londres e Lisboa e é apaixonada por viagens, gastronomia, cultura e inovação. Trabalhou mais de 15 anos no Grupo RBS como repórter, editora, colunista e assinou coluna social durante um ano no Jornal Notícias do Dia. Hoje, concilia a produção de conteúdo em site próprio com o trabalho de relações públicas.

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